sexta-feira, 2 de maio de 2014

Vitamina C (ácido ascórbico) e o escorbuto.

Olá pessoal, depois de um grande período de latência, pretendo voltar a escrever mais aqui, vou tornar o blog mais abrangente, além da química, tentarei abordar assuntos da biologia, bioquímica e outras ciências, aliás, toda ajuda é bem vinda, deixem dicas, críticas e sugestões nos comentários! (e parem de pedir receita de droga =D ).


Estrutura do Ácido Ascorbico (fonte: Wikipédia)

O que é?


O ácido ascórbico mais conhecido como vitamina C, é uma molécula extremamente recorrente em nosso dia-a-dia principalmente em nossos alimentos. Além da sua ocorrência natural em frutas e verduras como laranja, limão, espinafre, ela também é adicionada a diversos alimentos com o intuito de torná-los mais "nutritivos" (e mais vendáveis também) ou para que ela atue como antioxidante e antimicrobiano, conservando o alimento por mais tempo e protegendo os alimentos de contaminações por Clostridium botulinum (bactéria produtora da toxina butolínica A, o veneno mais letal conhecido).
Sintese do ácido ascorbico (fonte:http://qnint.sbq.org.br/qni/visualizarTema.php?idTema=11)
Sua obtenção industrial é feita à partir da glicose por meio de quatro etapas reacionais que envolvem conceitos químicos como a oxidação-redução e a ciclização.
É um composto importantíssimo em nosso metabolismo, auxilia na produção de colágeno (proteína de atua na sustentação entre tecidos) e também no combate e prevenção contra o escorbuto, doença que fez história, falaremos dela a seguir.

Vitamina C é bom... E conserva os dentes.


Trata-se do escorbuto, doença que dizimou tripulações inteiras de antigas embarcações tanto que não era raro encontrar navios à deriva com toda sua tripulação morta. Foi o que quase ocorreu com a tripulação de Magalhães em sua circunavegação (1519-1522), onde 90% da tripulação faleceu, grande parte pelo escorbuto.
Essa doença é causada pela deficiência de vitamina C no organismo, a falta deste pequeno ácido causa sintomas como exaustão, fraqueza, inchaço nos braços e pernas, amolecimento das gengivas, hemorragias nasais e bucais, halito fétido, diarreia, dores musculares, perda dos dentes, entre outros. Porém o que nos mata, são problemas gerados por esses sintomas como a pneumonia e até paradas cardíacas.
É uma doença bastante antiga, há relatos do antigo egito que fazem referência a mesma, mas foi no mar que o escorbuto fez "sucesso".
No século XV com os avanços tecnológicos na navegação, iniciou-se a era das navegações de longa distância, onde eram empregadas embarcações grandes e complexas que exigiam uma grande tripulação, que tem que comer. Ao início da viagem, embarcava-se alimentos como manteiga, queijo, ervilhas secas, cerveja e rum, em pouco tempo a manteiga estava rançosa, o queijo mofado, a cerveja azeda e a ervilha infestada por brocas, restava para comer carne salgada e uma bolacha extremamente dura feita de farinha água e sal, onde a infestação por brocas era visto como algo bom, já que os furos feitos pelo inseto tornavam a bolacha mais porosa e portanto mastigável. Além do fato de todos os alimentos citados estragarem, nenhum deles é rico em vitamina C. Os sintomas do escorbuto eram visíves apenas 6 semanas após o início da viagem.
Você pode pensar que não havia conhecimento de remédios contra o escorbuto... Engano, desde o século V, chineses cultivavam vasos de gengibre à bordo dos navios.


James Cook e o escorbuto.
 

Cook, da real marinha britânica, foi o primeiro a livrar totalmente uma tripulação do escorbuto, além de introduzir alimentos ricos em vitamina C na dieta de seus tripulantes ele instaurou um regime de alto padrão de higiene e dieta a borda de todas as suas embarcações.
Quando não era possível obter frutas e verduras frescas durante a viagem, Cook apelava para o uso de um chucrute (repolho em conserva), que por ter vitamina C, combatia o escorbuto. A introdução de novos alimentos a dieta dos tripulantes não foi algo fácil, Cook havia de ser inflexível frente as reclamações, além disso toda tripulação sabia que a recusa dos alimentos poderia gerar sérias consequências.  
Sua estranha dieta foi um sucesso, em sua primeira viagem que durou quase três anos, um terço dos marinheiros morreu após contrair malária ou disenteria, mas não houve nenhuma morte por escorbuto.


Recomendação de leitura


Baseio algumas postagens em livros que li e essa foi baseada no livro "Os botões de Napoleão: As 17 moléculas que mudaram a história" de Penny Le Couteur e Jay Burreson.

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